sexta-feira, 27 de junho de 2014

ENTREVISTA PARA PERFIL LITERÁRIO - UNESP (2010)

Achei algo de quatro anos atrás: entrevista dada ao gentilíssimo Oscar D'Ambrósio, na Radio UNESP - Perfil Literário. Falando do NCDR, recém inaugurado, e do meu espetáculo, Pegasus Desvario, também em seus primeiros passos. Forte desejo de retomar Pegasus Desvario!!!

Oscar D'Ambrósio entrevista Rubens Curi - Perfil Literário UNESP

segunda-feira, 22 de julho de 2013

LEMBRETE

Peço que tenhamos em mente as armadilhas que nossos sentimentos e pensamentos solitários ou comungados parcialmente podem provocar, quando alimentados pelas nossas idiossincrasias, gostos e opiniões pessoais. Procurem lembrar que relações são alimentadas, para o bem ou para o mal, baseando-se em níveis de rejeição ou aprovação. O tal: isso me faz bem/isso me faz mal - gosto/não gosto - concordo/não concordo - quero assim/não quero assado - o meu é melhor/o teu é pior - do particular ao geral é nesta dança do eu/meu versus teu/seu que são cometidas as maiores atrocidades na história da humanidade, tanto no âmbito privado quanto no coletivo. E começa assim, o individual descontente que soma a outro individual descontente e que, quando vemos, lá estão os dois lados se dIgladiando em nome daquela mentira que cada um pensa ser verdade. E tudo fica reduzido a este patético e nada criativo conflito alimentador dos egos cada vez mais inflados de suas "verdades" – dane-se o bem estar do vizinho, da vila, da cidade, do pais, do planeta, da humanidade - eu quero provar que estou certo e os outros errados. Assim tem vivido nossa humanidade e é disso que tem se alimentado: conflito, conflito, conflito - e o final é sempre o mesmo: a banda "boa" achando que destruiu o mal, a banda "podre". No final saem todos perdendo, sofrendo. Esta é a fórmula tida como de sucesso e de evolução que a humanidade tem vivido e acreditado como certa. É assim que nossas sociedades tem se comportado e "crescido". E na periferia dela, da humanidade, a fome, a violência, a injustiça, a dor, a magoa, o ressentimento, a revolta.

Faço estes apontamentos, assim tão enfáticos e abrangentes, buscando comunicar a visão que tenho do quanto o sofrimento vivido por nossa humanidade tem seu gérmen no seio da parcial insatisfação individual. Estas insatisfações são nascidas do ego, do eu que precisa sobreviver preservando a identidade que ele acredita ser a sua; bastião de sua segurança e sobrevivência física, emocional e psíquica.

Quanta guerra cotidiana eu testemunho entre os que me são próximos. Quanta voracidade em seus pensamentos e emoções. Quanto desgaste na constante luta para afirmar a existência de suas identidades. Eu também percebo isto em mim, e é terrível, cada vez mais terrível observar a existência e o poder deste "ser" inventado pelo meu "senso de identidade", e que não sou eu - é uma espécie de tirano que rouba quem somos e coloca no lugar um zumbi automatizado pelas engrenagens mais prosaicas dos pensamentos nascidas das memórias medrosas, egoicas, ambiciosas. Ver este terrível zumbi atuando em mim faz com que eu enxergue claramente a fonte dos conflitos e, desta forma, consiga refletir: ok, este é o zumbi - ok, este sou eu - ok, posso optar entre ele e eu - e cada vez mais opto por quem sou e não pelas memórias psicológicas que tenho da vida, dos outros e de meus medos e prazeres. Quanto mais percebo a atuação do zumbi em mim, mais o desmascaro. Quanto mais o desmascaro, menos poder ele tem de obscurecer quem sou. É um exercício muito simples: tomar consciência apenas - isto já basta, pois vou me dando conta que me é possível estar consciente de que estou consciente - uma benção para mim, um horror para o zumbi.

Todos nós, de acordo com cada vida e contexto, desenvolvemos um olhar sobre como deveriam ser as coisas, e este olhar deve ser respeitado como elemento que compõe a construção do todo, e não utilizado para determinar, individualmente, como as coisas devem ser, segundo valores que no fundo são apenas pessoais. Os integrantes de um grupo, que optaram por construir juntos este grupo (comunidades, raças, credos, povos), necessitam compreender a existência dos dois níveis: pessoal e coletivo, e que o pessoal só cresce, melhora, amplia, se o coletivo (a cultura) cresce, melhora, amplia.

Isto que escrevi não deixa de estar baseado em minhas idiossincrasias e é uma visão pessoal de como as coisas deveriam ser. Mas acredito que há aqui um elemento que talvez ainda não tenha comunicado completamente, e para o qual usarei uma imagem conhecida da humanidade a vários milhares de anos: enquanto farinha, óleo, água, sal, açúcar e fermento não quiserem abrir mãos da existência de suas identidades próprias, não haverá pão. Como a vida quer pão, ela mistura tudo, sova, deixa crescer, sova novamente e põe no fogo - e ela faz o pão sem se preocupar com a preservação do "senso de identidade pessoal" dos elementos que o compõe. Ao contrário, a ela apenas interessa a identidade que terá o pão. Tem pão que fica delicioso. Há alguns que ficam ruins. O delicioso, a vida compartilha e come, alimentando e fortalecendo. O ruim, a vida lança na lata de lixo e sequer lembra que não ficou bom. E lá ficam farinha, água, óleo, fermento, sal e açúcar se decompondo, fazendo sentido apenas os micro-organismos, vermes, moscas e congêneres - o que também é um serviço prestado à vida, mas... venhamos e convenhamos...

Que espontânea alegria eu percebo em mim ao me dar é na direção de fazer parte o pão delicioso, para ser compartilhado. Não deixo de ser farinha ou água ou fermento, etc., e não quero que os outros elementos deixem de ser o que sejam, mas o que sou e o outro é só tem sentido se compõe para o alimento. Caso não, tristeza, frustração e alimento para o zumbi, que se fortalece e volta a tomar conta, com toda a sua verborragia vitimoza e convicta de que no outro o inimigo está sempre prestes a se revelar.


To com fome e quero pão do bão!

terça-feira, 23 de abril de 2013

SOLIDÃO HUMANA




Ultimamente, antes de mergulhar nas ondas, vagas e tsunamis vindas dos diversos (na maioria das vezes 2) lados de uma questão levantada pela mídia como verdadeiro bastião da discórdia,  promovendo indignações de lá e de cá, pergunto-me: a que responsabilizar por isto? Uso o pronome "que", posto que acredito alguns ou muitos quens só poderem ser um "o que", uma coisa, uma organização, uma instituição, uma classe, uma tribo, gueto, comunidade... com uma boca enorme, uma língua frenética e muito, muito pouca eficiência cerebral e valorosidade cardíaca 

Ninguém tem razão e todos têm razão. Na contenda entre as razões, seus pífios e inflamados guerreiros investem um contra o outro até a morte de um deles - com direito a colocar o pé em cima e urrar a vitória. Da luta, o resultado? Apenas vencer! Daquilo que se defendia, os resultados? Mais guerra, claro!, pois sempre haverá a "família" e os confrades do morto X a família e os confrades do algoz (vencedor)! Ah, e tem também a legião de indignados, que, temerosos de que o conflito invada seus doces, confortáveis e seguros territórios, passam a bocarrar e linguadibnar muito mais do que aqueles mais próximos ao fato em si. E assim vamos construindo nossa civilização e sociedades, apenas mais sofisticadas e complexas, mas tão próximas, na reação de seus íntimos, àqueles que os cultos e civilizados chamam de primitivos ignorantes.

E eu me perguntando: O que responsabilizar por isso? A resposta não surge, mas sou acometido por um olhar grande e longo, que, num átimo, e sob a égide de uma capacidade misteriosa de síntese, coloca sob minha visão a história toda desta nossa tão cara humanidade; o tempo de vida possível para cada indivíduo humano, em contraponto ao tempo de existência da humanidade; a soma incalculável de todos os que desde o advento do homem na Terra já viraram pó (ou cinzas); os todos de nós em seus cotidianos neste exato momento; os poucos considerados grandes e influentes emparelhados com enorme massa de comuns viventes; as revoluções; as chamadas conquistas do pensamento humano; a quantidade de coisas já feitas pelas mãos de cada um dos bilhões de seres humanos de todos os tempos, seus orgasmos, suas sempre mesmas trajetórias físicas, que vão do feto ao cadáver inevitável...

Sinto peso e tristeza. Afundo levado pela âncora amarrada no centro de meu cérebro. A corda que a amarra? O esforço para encontrar uma explicação e uma saída. Fico sem ar, debato-me contra as paredes de minha caixa craniana. Sem ar e sem forças, sei que irei morrer. Desisto. Aceito a morte que chega. Entrego-me.

Subitamente meus sentidos me chamam e eu me dou contas das coisas em meu estúdio, dos sons que chegam da rua, do vento que entra pela janela, do cheiro e do sabor dos amendoins que eu estava comendo sem sequer ter me dado conta de como vieram parar em minha mão. Então não morri? Morreu!, um pensamento me diz. Pois bem, então morri, mais uma vez. E fui ler o que escrevi aqui. E me dei conta de que em momento algum a Natureza teve participação em minha visão. Só havia gente, homens, humanidade. Afora estes, nenhum outro animal, ou vegetal ou mineral. Sem terra, sem fogo, sem água, sem ar. Sem montanhas, planícies, vales, mares, oceanos, lagos, nuvens... Ah, de quanta solidão a humanidade se cercou! 

E foi assim que a resposta se me deu!

sábado, 7 de julho de 2012

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

PROFERIDO ESTÁ 07


Milton Santos:
O Brasil, pelas suas condições particulares desde meados do século 20, é um dos países onde essa famosa indústria cultural deitou raízes mais fundas e por isso mesmo é um daqueles onde ela, já solidamente instalada e agindo em lugar da cultura nacional, vem produzindo estragos de monta. Tudo, ou quase, tornou-se objeto de manipulação bem azeitada, embora nem sempre bem-sucedida. O Brasil sempre ofereceu, a si mesmo e ao mundo, as expressões de sua cultura profunda através do talento dos seus pintores e músicos e poetas, como de seus arquitetos e escritores, mas também dos seus homens de ciência, na medicina, nas engenharias, no direito, nas ciências sociais. Hoje, a indústria cultural aciona estímulos e holofotes deliberadamente vesgos e é preciso uma pesquisa acurada para descobrir que o mundo cultural não é apenas formado por produtores e atores que vendem bem no mercado. Ora, este se auto-sustenta cada vez mais artificialmente mantido, engendrando gênios onde há medíocres (embora também haja gênios) e direcionando o trabalho criativo para direções que não são sempre as mais desejáveis. Por estar umbilicalmente ligada ao mercado, a indústria cultural tende, em nossos dias, a ser cada vez menos local, regional, nacional. Nessas condições, é frequente que as manifestações genuínas da cultura, aquelas que têm obrigatoriamente relação com as coisas profundas da terra, sejam deixadas de lado como rebotalho ou devam se adaptar a um gosto duvidoso, dito cosmopolita, de forma a atender aos propósitos de lucro dos empresários culturais. Mas cosmopolitismo não é forçosamente universalismo e pode ser apenas servilidade a modelos e modas importados e rentáveis.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PROFERIDO ESTÁ 06


Arthur Rimbaud, em Iluminuras:

Tu te pões a trabalhar: todas as possibilidades harmônicas e arquiteturais vão se comover ao redor de tua cadeira. Seres perfeitos, imprevisíveis, vão se oferecer às tuas experiências. Em tuas imediações, fluirão em sonhosa curiosidade das antigas multitudes e luxos ociosos. Tua memória e teus sentidos serão o único alimento de teu impulso criativo.
Quanto ao mundo, quando tu saíres, o que ele será? Em todo o caso, nada dessas aparências atuais.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

DICAS DA SEGUNDA 06


Em pé, abra as pernas*. Encaixe as mãos nas virilhas, de forma que cada mão segure a parte interna de uma das coxas. Flexione levemente os joelhos. Engula a saliva que estiver na boca. Assim como está, caminhe até um espelho. Observe o caminhar. Em frente ao espelho abra bem os olhos e escancare a boca, colocando a língua para fora. Mantenha-se assim até não mais conseguir segurar gargalhada. Enquanto ri, desmonte a posição e, ainda em frente ao espelho, relaxe por uns momentos balançando o corpo, feito joão-bobo. Saia da frente de espelho e dê uma volta pelo ambiente, observando-se. Volte para o espelho e inspire profundamente. Retenha o ar enquanto conta mentalmente até 21. No 22 solte o ar dizendo, para sua imagem no espelho: Eu ein? Tem cada maluco neste planeta! De um tchauzinho para si mesmo e, vivas!, comece seja lá o que for. 

* Se preferir (e puder), antes, dispa-se completamente.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

PROFERIDO ESTÁ 05


Friedrich Wilhelm Nietzsche, em Além do Bem e do Mal:

A independência é o privilégio dos fortes, da reduzida minoria que tem o calor de se autoafirmar. E aquele que trata de ser independente, sem estar obrigado a isso, mostra que não apenas é forte, mas também possuidor de uma audácia imensa. Aventura-se num labirinto, multiplica os mil perigos que implica a vida; se isola e se deixa arrastar por algum minotauro oculto na caverna de sua consciência. Se tal homem se extinguisse, estaria tão longe da compreensão dos homens que estes nem o sentiriam nem se comoveriam em absoluto. Seu caminho está traçado, não pode voltar atrás, nem sequer lograr a compaixão dos seres humanos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DICAS DA SEGUNDA 05


Onde estiver, escolha uma das janelas e vá até ela. Lá, fique de costas para a paisagem. Ouça os sons que vem de fora. Escolha um e imite-o, primeiramente baixinho, até sentir confiança. Assim que achar que está bem treinado, vire-se e emita o som janela à fora, o mais alto possível. Imediatamente se agache ou se esconda. Divirta-se com a delícia da molecagem. Pronto! Agora é voltar ao que estava fazendo ou começar seja lá o que for.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

PROFERIDO ESTÁ 04


Contra os Intelocratas - Olavo de Carvalho, no livro O Imbecil Coletivo.

É voz corrente, se não convicção unânime entre os intelectuais brasileiros, que a produção cultural no Brasil decaiu em qualidade ao longo das três últimas décadas. A esse reconhecimento do mal não se segue, porém, nenhuma tentativa de debater e investigar suas causas e os meios de curá-lo. A constatação do estado de fato, ao esgotar-se em si mesma, torna-se resignação fatalista ou cinismo complacente. Isto mostra que, na vida cultural brasileira, o que decaiu não foi somente a produção — a manifestação exterior —, mas a motivação íntima, o nível de comprometimento dos intelectuais e artistas com os valores que nominalmente legitimam sua atividade.

Texto completo: http://pt.scribd.com/doc/58711149/13/CONTRA-OS-INTELOCRATAS-85

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

DICAS DA SEGUNDA 04


Em algum momento do dia, lembre de levantar a cabeça. Olhe para cima e explore o que vê por algum tempo. Volte ao que estava fazendo. Desconcentrou-se? Muito bom! Vá pegar um copo com água. Beba gole a gole, “mastigando” a água. Enquanto bebe, procure perceber/sentir o seu coração batendo – a pulsação do sangue nas veias. Ao fim, encha novamente de água o copo. Não beba. Simplesmente jogue a água fora, vagarosamente. Se, após isto, sentir ânimo para voltar ao que estava fazendo, volte e se observe nas possíveis mudanças de estado de espírito. Caso não se anime a voltar, dê as costas ao que estava fazendo e comece seja lá o que for.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

PROFERIDO ESTÁ 03


Por Nise da Silveira:

A sombra, em sentido psicológico, faz parte da personalidade total. As coisas que não aceitamos em nós, que nos repugnam e que, por isso, reprimimos, nós as projetamos no outro, seja ele o nosso vizinho, o nosso inimigo político ou uma figura-símbolo, como o demônio. E assim permanecemos inconscientes de que as abrigamos dentro de nós. Lançar luz sobre os recantos – as sombras – tem como resultado o alargamento da consciência. Então, já não é o outro quem está sempre errado, Descobrimos que frequentemente a “trave” está em nosso próprio olho. Quanto mais a sombra for reprimida, mais se tornará espessa e negra.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

DICAS DA SEGUNDA 03


A grande maioria de nós possui duas mãos com cinco dedos em cada uma, totalizando dez dedos. Pois bem, lave as mãos e enxugue-as. Em pé, coloque suas mãos, com as palmas voltadas para si, diante dos seus olhos. Dirija o olhar para cada um dos dedos, partindo do dedão da mão direita e indo até o dedão da mão esquerda; depois faça o movimento inverso, da esquerda para a direita. Feche os olhos, inspire profundamente e solte um latido qualquer. Ouça o som que emitiu. Abra os olhos e visualize as mãos. Feche as mãos e dê três batidinhas (soquinhos), uma na outra. Depois disto, leve as mãos fechadas e as apóie na cintura, mantendo os braços armados (como asas de xícara). Abra as pernas, solte o quadril e, enquanto chacoalha os ombros, repita três vezes: Muito Bem!!! Relaxe os braços e com os dedos distribua coçadinhas leves pelas nádegas, púbis, genitais, barriga, peito e costas. Relaxe. Feche as pernas e traga novamente as mãos para diante dos olhos. Repita a sequência do direcionar o olhar para as pontas dos dedos. Feche os olhos e inspire profundamente. Repita o latido. Abra os olhos e dê uma lambidinha em cada palma da mão. Lave as mãos novamente e comece seja lá o que for.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PROFERIDO ESTÁ 02



Por Juddu Krishnamurti, em O Homem e seus Desejos em Conflito.

O Eu não está contaminado pela sociedade; ele próprio é a contaminação. O "eu" (fruto do pensamento) é uma coisa que se formou pelo conflito, pela inveja, pela ambição e o desejo de poder, pela agonia, o sentimento de culpa, o desespero. E pode esse "eu" dissolver-se sem conflito? O próprio ato de perceber inteiramente esse processo constitui a sua dissolução, não se precisa fazer esforço nenhum para dissolvê-lo. Perceber uma coisa venenosa é abster-se de tocá-la.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Dicas da Segunda 02


Tire o sapato, as meias e o cinto (se houver um) ou desabotoe a calça ou saia e deite confortavelmente em seu local de dormir. Feche o olho direito, e com o esquerdo explore a visão que tem do espaço. Feche o olho esquerdo e, agora, explore com o direito. Feche ambos os olhos e inspire profundamente. Sem expirar, levante as costas e sente-se. Expire lentamente. Escolha uma direção qualquer para sua cabeça e abra e feche rapidamente os olhos. Tente lembrar do que viu. Repita isto por sete vezes, em direções diferentes. Inspire profundamente e retenha o ar. Deite-se novamente e expire lentamente. Abra os olhos muito lentamente enquanto junta as palmas das mãos sobre o tórax. Com os olhos já abertos, bate palmas na seguinte sequência. Uma vez, três vezes, sete vezes e onze vezes. Expire profundamente e ao inspirar, levante-se também lentamente. Em pé, dê três pequeníssimos pulos e cantarole o trecho de uma canção que você gosta (não se incomode se a calça, ou saia, ou etc, cair – aproveite e divirta-se com isto). Depois disto, comece seja lá o que for.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

PROFERIDO ESTÁ 01


Por OSCAR WILDE, em A Alma do Homem sob o Socialismo.

A maioria dos homens arruína suas vidas por força de um altruísmo doentio e extremado - são forçados, deveras, a arruiná-las. Acham-se cercados dos horrores da pobreza, dos horrores da fealdade, dos horrores da fome. É inevitável que se sintam fortemente tocados por tudo isso. As emoções do homem são despertadas mais rapidamente que sua inteligência; e, como ressaltei há algum tempo em um ensaio sobre a função da crítica, é bem mais fácil sensibilizar-se com a dor do que com a idéia. Conseqüentemente, com intenções louváveis embora mal aplicadas, atiram-se, graves e compassivos, à tarefa de remediar os males que vêem. Mas seus remédios não curam a doença: só fazem prolongá-la. De fato, seus remédios são parte da doença.

Buscam solucionar o problema da pobreza, por exemplo, mantendo vivo o pobre; ou, segundo uma teoria mais avançada, entretendo o pobre.

Mas isto não é uma solução: é um agravamento da dificuldade. A meta adequada é esforçar-se por reconstruir a sociedade em bases tais que nela seja impossível à pobreza. E as virtudes altruístas têm na realidade impedido de alcançar essa meta. Os piores senhores eram os que se mostravam mais bondosos para com seus escravos, pois assim impediam que o horror do sistema fosse percebido pelos que o sofriam, e compreendido pelos que o contemplavam.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dicas da Segunda 01


Pegue um copo com água e uma xícara com café. Coloque-os em sua frente, sobre uma mesa ou similar. O dedo do meio da mão esquerda, mergulhe no café; o da direita, mergulhe na água. Feche os olhos e descreva seis círculos no céu da boca, com a ponta da língua; três para a esquerda e dois para a direita. Relaxe a língua e inspire profundamente. Retenha o ar por alguns segundos. Pisque rapidamente vinte e uma vezes e solte o ar lentamente. Mantenha os olhos fechados e retire os dedos do café e da água. Sinta a temperatura. Leve, ao mesmo tempo, os dois dedos à boca. Chupe-os. Abra os olhos e veja o que está para além da janela. Tome sete goles da água e três do café, observando a paisagem. O restante da água, verta num vaso ou na terra. O café, verta sobre os pulsos, e depois, esfregue um no outro levemente. Lave os pulsos em água corrente, enxugue-os e pronto, comece seja lá o que for.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

AGIR

O buraco é muito largo e não cabe dentro (do peito).

Dentro muitas coisas se acumulam (no peito).

Acumulam abstratas sensações inclassificáveis (pelo peito).

Inclassificáveis, patológicas se mostram (ao peito).

Mostram a característica do que ocorre (na mente).

Ocorre desde há algumas horas (pela mente).

Horas onde a consciência largou o leme (à mente).

Leme frouxo, buraco grande (da mente).

Grande espaço para fina percepção (do corpo).

Percepção aliada do centro (no corpo).

Centro que é eixo (do corpo).

Eixo da ação (pelo corpo).

domingo, 7 de novembro de 2010

SOLITUDE


Ouvindo-me, escuto a humanidade inteira.
Vendo-me, enxergo-a completamente.
Sentindo-me, inteiramente, liberto-a.
Liberta, completa, esquece-me - morro.
Esquecido, exerço-me livre e completamente - vivo.
Mesmo tendo esta aparência incongruente,
É assim que se dá o fato, em si.
Mesmo sendo assim que o fato se dá,
Temos a incongruente sensação de assim não ser.
Em sendo ou não, a questão fica posta, aqui,
Em pleno título.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

domingo, 9 de maio de 2010

UM BRASILEIRO






Ave Migrante cheio de graça, o futuro é convosco,
Bendito sois vós entre os humanos
E bendito seja o fruto de vosso ato, a miscigenação.
Santo Migrante, mãe e pai de todos,
Rogai pelos tais senhores “donos da verdade”,
Agora e na hora de nosso migrar!
Axé.

“UM BRASILEIRO” conta a história do “José João da Silva”, um migrante radicado em São Paulo, que, após enfrentar inúmeras dificuldades, vive um grave momento de crise onde o suicídio se apresenta como sua única alternativa. Neste momento crucial lhe acontece uma revelação transformadora. Devido a ela, não mais se vê como fracassado e vítima, mas se compreende como o forte e especial que, apesar de todas as graves dificuldades, vence em força.

A força do “Zé João” tem sua origem em sua história e seus conteúdos pessoais, e que é o seu maior tesouro, com a qual impregna tanto seu dia-a-dia como suas ações e realizações junto à sociedade a sua volta. Revê memórias e as emoções que carregam, atualizando-as pelo viés da revelação, encontrando-as construtivas, amorosas, felizes. Seu olhar passa a ser o do observador consciente de seu papel, que mantém e fortalece sua capacidade inteligente de refletir a cultura diferente pelo viés da lucidez, criatividade, inteligência e bom humor. Desta forma “Zé João” se reconstrói e se reidentifica – liberta-se!
O espetáculo se debruça sobre a questão daqueles que migram para as grandes cidades e passam a contribuir para a formação e desenvolvimento humano, social, econômico, estrutural e cultural dessas cidades. Partimos da idéia de que o protagonista não é um coitado e sofrido, como normalmente é considerado o migrante que não conquistou poder econômico ou social. Nosso intuito é mostrar que o migrante traz de sua região de origem a força e os conteúdos que o fará conquistar seus espaços na nova cidade. Isto representa a chegada de força, amor, fé, esperança e trabalho que são fundamentais para a formação da multifacetada realidade cultural e humana das cidades.
A proposta é que “Um Brasileiro” se comunique através de um lugar onde a razão não seja o filtro principal, mas sim a emoção e as intensidades subterrâneas desta personagem que encontra o caminho da expressão inteira e espontânea, conduzida pela urgência da felicidade lúcida e inteligente.
RUBENS CURI


Viver em um “lugar” onde o sonho é a única coisa que temos é algo muito perigoso, pois olhar para o futuro e não ter a certeza se o sonho me será dado num outro dia... Eita!!
Mas de novo sonho...
Um sonho de garoto, de garoto ansioso que não deixa de viver o sonho que no futuro será a realidade.
Pois é, os dias passam e não vemos... só sonhamos... sonhamos... sonhamos... Até que...
Através do Teatro a realidade me é dada de presente.
Com este trabalho, “Um Brasileiro” ganho conhecimento, resgato minha cultura, fortaleço minha profissão, aprendo humildade, exerço reconhecimento e o mais importante, convivo com a amizade, que não é pouca.
O espetáculo “Um Brasileiro” sou eu, como tantos outros brasileiros que procuram soluções para suas dificuldades. Neste caminho, encontro o eixo e a fé na realização do amor por tudo aquilo que faço. Acredito no espetáculo como uma forma de comunhão com todos os que, como eu, saíram de suas terras em busca do sonho, de melhores condições de vida, e que trazem consigo a coragem, a fé, a esperança e seu melhor tesouro, que são suas origens, suas histórias e a de seus pais, avós, bisavós, de suas cidades, povos, regiões; suas lendas e crendices, suas infâncias, suas juventudes, suas velhices, suas sabedorias, inventividades, criatividades...
MAURÍLIO DOMICIANO


Me servindo de Bertold Brecht:
“Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros?...”
Nossas histórias sempre foram escritas do centro para a periferia, do maior para o menor. “Um Brasileiro” quebra este paradigma e só por isto, já é ousado.
SERGIO CARVALHO DA FONSECA


Direção: RUBENS CURI
Elenco: MAURÍLIO DOMICIANO
Texto: SÉRGIO CARVALHO DA FONSECA e RUBENS CURI
Cenografia: DANIELA THOMAS
Iluminação: DAVI DE BRITO
Figurino: CLAUDIA SHAPIRA
Trilha Sonora: RUBENS CURI
Criação e Projeto Gráfico: VINÍCIUS PRADO
Fotografia: MICHELA BRÍGIDA RODRIGUES
Produção: MAURÍLIO DOMICIANO
Assistente de Produção: ANA PAULA DE FARIA e JORGE MELO
Assessoria de Imprensa: ANA PAULA DE FARIA
Costureira: CLEUZA AMARO DA SILVA

sábado, 24 de abril de 2010

OBESA CULPA


Você precisa fazer uma coisa; uma coisa que você disse que faria – e disse, movido pelo real desejo de fazer.
Todos os dias você lembra do que tem para fazer – e não faz.
Por não fazer, o desejo vai se transformando em dúvida, alimentada pelo medo.
Todos os dias você lembra – e não faz.
Por não fazer, sofre.
Sofre, todos os dias, um sofrimento que aumenta em peso e tamanho – engorda.
Grávido de um desejo obeso, você, todos os dias, lembra do que tem para fazer – e não faz.
E não faz, e não faz, e não faz...
E pesa, o obeso – dentro, por dentro, lá dentro.
E oprime, o obeso.
E tudo vai ganhando obesidade.
E tudo engorda.
E engorda, a cria.
Até que nasce... e não é obesa.
Ah, obesa e a obrigação de fazer?
Não! Obesa é a culpa, que se nos apresenta inicialmente aguda e fina, feito lâmina e que depois, colocada para dentro, engorda e se torna grave, feito um imenso peido entalado.

"UM BRASILEIRO" no SESC Consolação

segunda-feira, 12 de abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

SENTE-SE



SENTE-SE!
NÃO?
SENTE-SE, SIM!
IMANANDO – EMANANDO!
...
VIU SÓ COMO SE SENTE?

sexta-feira, 19 de março de 2010

10:30 de 19-03-2010



DEZ Horas e Quarenta e Três Minutos do Dia Dezenove de Março de Dois Mil e Dez.
Dia Dezenove de Março das Dez Horas E QUARENTA e Três Minutos do Ano de Dois Mil e Dez.
Ano de Dois Mil e Dez do Dia Dezenove do Mês de Março das Dez Horas e Quarenta E TRÊS Minutos.
Quarenta e Três Minutos das Dez Horas do Ano de Dois Mil e Dez de DEZENOVE de Março.
Quarenta e Três Minutos do Ano de Dois Mil e Dez das Dez Horas do Dia Dezenove DE MARÇO.
Março do Ano DE DOIS Mil e Dez das Dez Horas do Dia Dezenove dos Quarenta e Três Minutos.
Três Minutos dos Quarenta das Dez Horas do Dia Dezenove de Março do Ano de Dois MIL e Dez.
Ano de Dois Mil E DEZ do Mês de Março do Dia Dezenove dos Três Minutos dos Quarenta das Dez Horas.
Bom Dia! Bom Dia! Bom Dia!...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ESTADOS ABSTRATOS



Quando, ponto, estamos, vírgula, assim, travessão, suspensos em estados abstratos, ponto e vírgula, socorro, ponto de exclamação, é hora de deixar ir e vir, abre aspas, tudo, ponto de exclamação e fecha aspas.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

DESNORTE




Sem remo e sem rumo. Vige Santa que farol não tem.
O leme? Imagino que exista.
O mar? Lá, aí, aqui e acolá, dá prá ver, sentir e não alcançar nunca - nem no talvez e nem no quem sabe.

Sem rumo e sem remo. Ai que a bússola sumiu.
Proa e popa? Discernir não consigo.
O mar? Lá, aí, aqui e acolá, dá pra molhar, salgar e prá não chegar nunca - nem no talvez e nem no quem sabe.

Remo Farol Rumo Bússola Proa Popa Leme – direções sentidos – Lá Aí Aqui Acolá.
Onde o mar? Nem no talvez e nem no quem sabe, mas é certo que onde imagino exista e não dá pra chegar – por enquanto ao menos...
Ao mais, hoje, é aceitar o convite do Manoel e do Anselmo, para tomar uma ali no bar do Beto.
E vou! E fui! E voltei! E é certo que o mar existe e dá pra chegar - com ou sem rumo, remo, bússula, pois afirmo que lá, aí, aqui ou acolá o norte em linha reta é um desnorte só!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

LILI LIRILI LILILI LÓ E LÁ


Lili lirili lilili ló e lá. Este foi o som que pulou de uma singela mensagem de e-mail.
Pulou e agitou o sono fazendo despertar para o nossa-esqueci-do-blog!.
Eita que esqueço e lembro, lembro e esqueço.
Eita dança do renascimento e ressurreição.
Eita que surpresas causa a mim este vai e vem de meu existir que adora inexistir.
Doido de jogar pedra – aqui me defino – Mas Ói, ói! Não gosto de pedras vindas velozes em minha direção. Doem pra lá da conta! Aviso aos navegantes que é o dito acima apenas uma expressão aliás, muito comum, e dela me utilizo apenas para dizer que sou doido e só/tudo isto – sem aquelas coisas de pedra, algema, camisa de força, choque elétrico, sossega leão, e assim por detras.
Ops! E lá me vou a descolar de mim a memória que aqui me trouxe - Ops, pega, puxa, vem cá!
E voilà:
Lili lirili lilili ló e lá – Valeu, linda menina de face renascentista e alma contemporânea!